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Colunista Dra Ieda Aguiar Por Elas

POR ELAS | Homens também precisam entrar em campo

Durante séculos, as mulheres foram educadas para o silêncio. Silêncio por medo. Silêncio por vergonha. Silêncio para “manter a família”, “evitar escândalo”, “não provocar”. Enquanto isso, muitos homens foram educados para o oposto: para mandar, corrigir, controlar e, não raras vezes, violentar — física, psicológica, moral ou simbolicamente.
Esse é o retrato do machismo estrutural que atravessa gerações como se fosse tradição, quando, na verdade, é violência normalizada.

Hoje, quando mulheres finalmente rompem esse silêncio e se levantam para defender outras mulheres, surge uma pergunta incômoda — e necessária: onde estão os homens?
Não basta assistir da arquibancada, bater palmas em discursos bonitos ou dizer “eu sou contra a violência”. Isso é pouco. É confortável demais. A luta contra a violência doméstica exige posicionamento, atitude e, sobretudo, coragem para romper privilégios.

Homens precisam defender mulheres vítimas de violência porque essa violência, em grande parte, nasce de uma estrutura criada e mantida por homens. E não se combate um problema ficando neutro. Neutralidade, nesse tema, é cumplicidade silenciosa.

Educar meninos de forma diferente é urgente. Ensinar que respeito não é favor. Que amor não controla. Que ciúme não é cuidado. Que masculinidade não se prova com força, mas com responsabilidade emocional, empatia e limites. Meninos precisam aprender desde cedo que mulher não é posse, nem extensão do ego de ninguém.

E que fique claro: as mulheres não querem deixar de ser amadas pelos homens.
Elas só não querem mais ser violentadas, humilhadas, ameaçadas ou mortas por eles. Amor não dói. Amor não machuca. Amor não silencia.

A história mostra que homens podem — e devem — se posicionar. No Brasil, Dom Hélder Câmara foi uma voz firme contra as opressões, denunciando desigualdades e violências quando o silêncio era a regra. Ele entendia que justiça social não é caridade: é dever. E esse dever também se aplica à defesa das mulheres.

Como advogada que atua diariamente na defesa de mulheres vítimas de violência doméstica, afirmo com convicção: quando homens se posicionam, denunciam, acolhem, interrompem piadas, confrontam amigos e familiares agressores, vidas são salvas.
Quando homens entram na luta, a violência perde espaço.
Quando ficam calados, ela ganha força.

Não é uma guerra entre homens e mulheres.
É uma luta entre violência e humanidade.
E já passou da hora de todos escolherem de que lado estão.

As mulheres já aprenderam a lutar por si. Agora falta aos homens aprenderem a lutar ao lado delas.

Dra. Ieda Aguiar
Advogada – Defesa das Mulheres Vítimas de Violência Doméstica Ieda Aguiar

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